segunda-feira, 7 de junho de 2010

STF vai julgar ação contra quilombolas sem realizar audiência pública


Informações: Agência Brasil

BRASÍLIA - Às vésperas do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) questionando o decreto que estabelece procedimentos para titulação de terras quilombolas, representantes das Nações Unidas (ONU), da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e dos remanescentes de quilombos reforçam pedidos para a realização de audiências públicas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que, sob relatoria do ministro e presidente do STF, Cezar Peluso, vota a questão este mês.

Criado para regulamentar o Artigo 68 da Constituição, que garante aos quilombolas a regularização de uma ocupação territorial histórica, o Decreto nº 4887 é contestado pelo Democratas (DEM), que também é contra as cotas raciais. O partido questiona o critério de autodeclaração para identificar os remanescentes e quer que a regulamentação do artigo passe pelo Congresso Nacional.

Desde 2004, quando o DEM levou a questão ao Supremo, foram enviados à Corte mais de 20 pedidos de audiência pública por associações de produtores rurais, ativistas de direitos humanos e universidades. Até agora, no entanto, não foi realizada nenhuma reunião pública, como ocorreu para discutir ações afirmativas, células-tronco e anencefalia.

A relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada, Raquel Rolnik, afirma que as audiências são um espaço para que todos os envolvidos na questão apresentem seus argumentos, inclusive as consequências da derrubada do decreto.

"Essas comunidades estão extremamente vulneráveis a despejos forçados, sobretudo por proprietários de terras, empresas de mineração e por grandes projetos de infraestrutura. Sem o reconhecimento do Estado, podem ser expulsas de suas terras sem nenhuma compensação, piorando suas condições de vida", alerta.


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), responsável por titular a área ocupada pelos remanescentes, avalia que sem o decreto, os 60 títulos (coletivos e inalienáveis, expedidos em nome de uma comunidade - conforme determina o documento) emitidos desde 2003 podem cair, prejudicando cerca de 80 famílias e deixando o processo de regularização de cerca de 15 mil famílias sem regras de aplicação.

"Com a derrubada do decreto, toda essa sistemática de estudos de identificação, delimitação, desmarcação, indenização e titulação - um processo lento - deixa de existir. Há uma perda para as comunidades e para o Estado, que está adaptando suas intituições a essa realidade", explicou o coordenador do Grupo de Trabalho de Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Ricardo Cid.


O Incra também lembra que o documento é o principal instrumento de defesa do governo na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde tramita ação por violação de direitos dos quilombolas. Sem o decreto, a avaliação é de que o Brasil pode ter a situação comprometida.

“Não reivindicamos qualquer terra. Queremos o nosso território que a nossa ancestralidade garantiu com luta, um espaço de resistência, de reprodução cultural, social e econômica. É um lugar sem o qual a comunidade quilombola não existe”, completou o representante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Ronaldo Santos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Clima de festa no QUILOMBO SACOPÃ

O dia 13 de dezembro será de mais uma edição da tradicional feijoada do Quilombo Sacopã. Mas a data tem um ingrediente especial que promete apimentar ainda mais essa festa. Nesse dia o músico e compositor Luiz Sacopã estará fazendo aniversário.

Para a ocasião já estão confirmadas presenças de músicos como Noca da Portela, Beth Carvalho, Roberto Serrão, Chico Sales dentre outros. O show começa com a participação do grupo Nossas Raízes.

Serviço:
Início: 14 horas
Entrada: R$ 25,00 (com feijoada) - R$10,00 (sem feijoada) para ambos os sexos
Informações: 2537-3960 / 9271-0363
comunidade.sacopa@gmail.com

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Show na concha acustica da UERJ

No dia 17 o Quilombo Sacopa estara fazendo, partir das 18 horas, uma homenagem a Cartola na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). No evento Luiz Sacopa interpretara eternos sucessos de um dos maiores nomes da MPB.

A entrada e franca.

Informaçoes atraves do telefone 2537-3960

terça-feira, 24 de junho de 2008

Saiba mais sobre o Quilombo Sacopã

Mesmo sendo pressionado por longos anos de especulação imobiliária, que acarretaram em quatro ordens de despejo oriundas de vários segmentos da sociedade, a família Pinto, que descende de escravos, vem a aproximadamente 40 anos resistindo bravamente a uma infinidade de investidas de remoção, sendo que duas das mesmas foram da prefeitura do município, uma do Estado e outra em forma de reintegração de posse após cem anos de permanência no local.

A comunidade é liderada pelo irmão mais novo, Luiz Sacopã, que também é cantor e compositor, o que pra ele muito ajudou e ainda ajuda na luta pela regularização da área, que tem 24 mil metros quadrados que fica de frente para o Cristo Redentor e às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Hoje, o Quilombo do Sacopã já é reconhecido pelas autoridades competentes como tal e passa pela última fase dentro do procedimento de intitulação da comunidade como reais descendentes de escravos aconteça daqui a alguns meses. Assim a família Pinto poderá vir a desfrutar de uma justa e merecida titulação, terminando de vez com os olhos gordos dos especuladores imobiliários e celebrando uma vitória inédita na história do povo afro-descendente brasileiro. A vitória do fraco contra a classe que há 500 anos tinha o domínio do país.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A nova cara de uma velha história...

Não é de hoje que a família Pinto está fixada na ladeira Sacopã. Uma família que descende de escravos e que faz questão de preservar as suas raízes. Como registro da primeira postagem ficam os votos da equipe que tentou contribuir da maneira que pode no sentido de manter viva a tradição defendida pela família por 5 gerações.

E agora, como mais esse canal de ligação da comunidade com o mundo, espera-se que cada vez mais pessoas tenham conhecimento e noção da grandeza da história da comunidade e o que ela representa para o contexto cultural brasileiro.